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Posts Tagged ‘Feira de Economia Solidária’

*Por Carlos Henrique de Castro

MTS : MERCADO DE TROCAS SOLIDÁRIAS
1. O QUE É O MERCADO DE TROCAS SOLIDÁRIAS EM UMA FEIRA DE ECONOMIA SOLIDÁRIA?

É um espaço onde as pessoas trocam entre elas produtos, serviços e saberes sem o uso de dinheiro, de uma forma solidária, que promove a cooperação em vez da competição, própria do “outro” mercado,  respeitando normas éticas e ecológicas ao produzir e consumir. Nesta publicação, nos referiremos indistintamente a Feira ou Mercado de Trocas Solidárias.

Seu objetivo principal em uma Feira de Economia Solidária é de caráter pedagógico, mas também cultural e político, ou seja,  o MTS propõe a todos participantes do evento vivenciar uma nova maneira de fazer circular a riqueza, com a lógica das trocas solidárias, onde os resultados podem ser alcançados sem a utilização de dinheiro.

Nas experiências realizadas até agora, viu-se que muitas pessoas que passam pelo espaço de trocas acabam se interessando por alguns produtos, porém como não têm moeda social, não poderiam adquiri-los nem conhecer o mecanismo da feira de trocas. Por isso, elas são encaminhadas a empreendimentos da Feira Solidária, onde compram produtos com moeda oficial, que levam ao Ecobanco para trocar por moeda social e participar das trocas solidárias. Como resultados dessas práticas, mais pessoas participam e mais empreendimentos solidários aumentam suas vendas e conhecem as trocas com moeda social como possibilidade da Economia Solidária.

2. O QUE É ECOBANCO?

Ecobanco é o mecanismo responsável pela emissão, controle, distribuição e retirada da moeda social de circulação em um espaço de Trocas Solidárias num evento de curta duração. Tem por finalidade colocar a moeda social em circulação, basicamente através da troca de moeda social por produtos que formarão o lastro do Ecobanco. Tendo em conta a finalidade educativa do processo, costuma-se adotar a equivalencia de uma moeda social por cada moeda oficial. Ou seja, para cada 1 R$ (um real) ingressado em produto no Ecobanco, uma moeda social entrará em circulação. Ao final do evento, o Ecobanco realiza a operação inversa, informando antecipadamente a todos os participantes do evento o dia e horário em que serão colocados os produtos a disposição de quem ainda tiver moedas sociais em seu poder.

3. QUAL É A FUNÇÃO DA MOEDA SOCIAL?

A função da moeda social em um espaço de trocas solidárias é facilitar as trocas de produtos, serviços e saberes. Ela funciona como se fosse um “vale”, que só poderá ser utilizada durante um período determinado, acordado entre os organizadores do evento.

4. O QUE É O LASTRO DO ECOBANCO?

O lastro do Ecobanco é a garantia que os organizadores do evento dão as moedas sociais que são colocadas em circulação. Para que isto aconteça,  são adquiridos dos participantes certa quantidade de produtos que podem ser negociados até o último dia do evento. Outra formar de construir o lastro é o recebimento de doações de produtos de alta aceitação, cestas básicas ou a troca de Cartilhas pedagógicas. Para desfazer o lastro, a organização informa o dia e horário que os produtos serão negociados com os participantes, geralmente durante as ultimas horas do evento.

5. COMO PARTICIPAR DE UM ESPAÇO DE TROCAS SOLIDÁRIAS?

Todas as pessoas que participam do evento, inclusive os empreendedores solidários, que trouxerem produtos em boas condições de uso, oferecerem serviços e saberes, além de preencherem o cadastro terão direito de participar. Por seu caráter politico, o único impedimento nesse espaço é a negociação de produtos, serviços e saberes por dinheiro.
Os produtos, serviços e saberes oferecidos durante o  espaço de Trocas Solidárias são de absoluta responsabilidade dos que oferecem, assumindo qualquer problema por eles causados. É aconselhável que produtos de valor superior a R$ 200,00 sejam cadastrados com nome, endereço e documento de identidade, evitando o risco de comercialização de produtos roubados ou de origem duvidosa.

6. FORMAS DE NEGOCIAÇÃO POSSIVEIS:

Trocas diretas:
Você pode oferecer seu produto, serviço ou saber em forma direta, ou seja, ao identificar  algo que necessite, tentar uma trocar por aquilo que esta oferecendo, desde que ambas as partes concordem com a troca.

Trocas indiretas:
Você pode utilizar moeda social nas trocas de produtos, serviços e saberes.

7. ETAPAS DE PREPARAÇÃO ACONSELHADAS :
PRIMEIRA ETAPA – ANTES DA FEIRA

* Formar uma comissão de no mínimo 10 pessoas.
* Fazer a distribuição das tarefas:
3 pessoas no Eco Banco
4 pessoas na recepção junto a feira de trocas (pode ser 3 para aumentar uma pessoa  para conversar com expositores)
1 pessoa no classificados de ofertas e necessidades
1 pessoa na comunicação utilizando os veículos de comunicação do evento
1 pessoa para conversar com os expositores, empreendimentos solidários, convencendo a oferecer seus produtos no espaço de trocas.

Operatoria:
É importante que haja flexibilidade, podendo ficar duas aqui ou mais, em certos momentos, e diminuir uma na recepção. Das três pessoas do Ecobanco, é importante que pelo menos uma pessoa tenha praticado o uso da moeda social, da formação de lastro, distribuição da moeda social, além de ter participado de feiras de trocas, de ser conhecido pela comunidade e  responsável em todas atividades anteriores já realizadas. Esta garantia é necessária porque não se pode errar no funcionamento do Ecobanco: o risco pode comprometer as possibilidades futuras de projetos e ações que se pretendam realizar na Economia Solidária.

É importante que essas 10 pessoas participem de todas as etapas do processo:

a – Deve-se fazer uma primeira reunião, com objetivo das pessoas se conhecerem e trocarem impressões sobre o que pretendem realizar, buscando fortalecer a amizade e confiança entre os organizadores do espaço de Feira de Trocas.

b- Em caso de existir, é aconselhável apresentar à Feira de Economia Solidária Estadual um projeto com as necessidades básicas para o funcionamento do espaço de feira de trocas, além de acompanhar todas reuniões do Fórum Estadual na preparação da Feira Estadual.
c- Necessidades básicas:

* Local adequado para o funcionamento do Ecobanco e da Feira de Trocas Solidárias ou Mercado de Trocas Solidárias;
* 1 Box para o Eco Banco;
* 1 mesa com gaveta e chaves de segurança para o Ecobanco;
* 3 cadeiras;
* 1 Balcão para atender os participantes da Feira de Trocas;
* 10 mesas para Feira de Trocas;
* 20 cadeiras para a Feira de Trocas;
* 3 cadernos para controle do lastro, controle de emissão das moedas sociais e livro de visitas;
* 5 canetas esferograficas;
* 5 pincéis atômicos;
* 2 rolos de fita adesiva não transparente (para anotar os valores dos produtos adquiridos no lastro);
* 1.000 folhas de Sulfite, para o classificado de ofertas e necessidades;
* 1 banner – Ecobanco – Banco da casa da moeda social;
* 1 faixa – FEIRA DE TROCAS SOLIDÁRIAS – SEJA BEM VINDO;
* 100 Cestas Básicas para segurança do lastro e para pagamentos em moeda social dos colaboradores da Feira de Trocas Solidárias;
* 1.000 folhas de questionário de avaliação do Espaço de Feira de Trocas Solidárias ou Mercado de Trocas Solidárias;
* Cartilhas como organizar um espaço de Feira de Trocas ou Mercado de Trocas Solidárias;
* Panfletos de divulgação sobre como participar da Feira de Trocas Solidárias ou Mercado de Trocas Solidárias. Neles pode solicitar-se que venham com alimentos não pereciveis para participar do evento;
* Un mínimo de 10.000 cédulas de modelos diferentes e com numeração de serie:
MS $ 0,50 – 1.000 cédulas de numeração de serie de 0001 a 1000.
MS $ 1,00 – 5.000 cédulas de numeração de serie de 0001 a 5000.
MS $ 2,00 – 2.000 cédulas de numeração de serie de 0001 a 2000.
MS $ 5,00 – 2.000 cédulas de numeração de serie de 0001 a 2000.

DIVULGAÇÃO DO ESPAÇO DE FEIRA TROCAS SOLIDÁRIAS OU MERCADO DE TROCAS SOLIDÁRIAS.

No caso de existir, a equipe de comunicação da Feira Estadual de Economia Solidaria deverá colocar em todos os materiais de divulgação, que nele vai acontecer uma Feira de Trocas Solidárias ou Mercado de Trocas Solidárias em local definido.

SEGUNDA ETAPA  – DURANTE A FEIRA

Toda a Comissão Organizadora deverá estar no local do funcionamento do espaço de Feira de Trocas ou Mercado das Trocas Solidárias para iniciar as atividades.

* Deverá verificar se as moedas sociais estão em ordem, registrar a entrada das moedas sociais no livro de controle.

* Deverá distribuir as atividades entre os membros da comissão e iniciar o espaço de Feira de Trocas Solidárias ou Mercado de Trocas Solidárias.

TERCEIRA ETAPA – FINAL DO EVENTO

A Comissão Organizadora deverá entregar a todos os participantes da Feira um questionário com perguntas avaliando o funcionamento em todos seus aspectos.

Todos os membros da Comissão deverão colaborar no processo de desarme do lastro, sendo aconselhavel a descentralização do lastro em até 4 postos do espaço da Feira de Trocas Solidárias, evitando a concentração de muitas pessoas em um único local. Caso aconteça de muitas pessoas terem acumulado moedas sociais e queiram troca-las ao mesmo tempo, pode-se adotar uma pratica que tem dado resultado: formam-se 4 filas e cada pessoa tem opção de trocar de no máximo 10 moedas sociais. Se ainda tiver moedas, voltara à fola e trocara novamente, até completar o total.

ALGUMAS PREOCUPAÇÕES QUE DEVEM SER PENSADAS ANTES DO EVENTO:

1 – Dos organizadores do espaço da Feira de Trocas : Deverão procurar fazer uma experiência piloto de funcionamento do espaço de Feira de Trocas Solidárias ou Mercado de Trocas Solidárias, com objetivo de identificar possíveis falhas e corrigi-las a tempo;

2 – Dos produtos adquiridos na formação do lastro: É importante uma avaliação correta e solidária dos produtos, para que no momento de resgatar as moedas sociais não fiquem produtos indesejaveis por sua insuficiente qualidade ou valor fora do mercado solidário;

3 – Caso não se consiga um lastro suficiente para resgatar todas moedas sociais colocadas em circulação, em principio, não deve ser permitido o pagamento dos serviços prestados pelos colaboradores com moedas sociais, se não foram previamente negociados. São considerados serviços prestados à Feira de Trocas Solidárias:
* Pagamento de horas de trabalho na Feira;
* Compra de alimentos, sucos ou água para os colaboradores durante o horario da Feira;
* Toda e qualquer saída necessária ao bom funcionamento da Feira, que não seja a compra de produtos para o lastro;

4 – É muito importante prestar especial atenção aos empreendimentos de alimentação:
* Estes empreendedores devem negociar apenas uma parte de suas produções;
* Deve ficar bem claro que as moedas sociais adquiridas serão gastas somente entre os empreendedores que a aceitarem voluntariamente;
* Deve-se esclarecer especialmente a esses empreendedores as condições da Feira ou Mercado de Trocas Solidárias, para evitar que acumulem moedas sociais, porque possivelmente, não seram trocadas por produtos de sua preferência ou necessidade, devido a pequena diversidade que o Mercado de Trocas Solidárias venha ter ao final do evento.


*Carlos Henrique é Representante de clube de trocas em São Paulo.

Retirado do site: http://outraeconomiacontece.wordpress.com/2009/04/04/guia-para-uma-feira-de-trocas-em-sua-atividade-economia-solidaria-rspost-449/

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