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Felicity Lawrence denuncia a indústria mundial de alimentos

Substâncias danosas ao organismo geram lucros bilionários.

A indústria mundial de comida nos alimenta mal, cria hábitos pouco saudáveis, nos entope de substâncias danosas ao organismo, enquanto acumula lucros bilionários. Grandes empresas multinacionais dominam o setor e fogem da transparência que revelaria suas práticas nocivas.

O consumidor não tem tempo para fiscalizar o que compra no mercado e depois come, sem perceber quando é manipulado pela má informação nos rótulos e na publicidade. Estas e outras denúncias aparecem no trabalho investigativo da jornalista britânica Felicity Lawrence.

Para assistir vídeo com entrevista completa com Felicity Lawrence, acessar:
http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1592313-17665,00-FELICITY+LAWRENCE+DENUNCIA+A+INDUSTRIA+MUNDIAL+DE+ALIMENTOS.html

Do site: http://sustentabilidadesemapi.blogspot.com/2010/05/felicity-lawrence-denuncia-industria.html

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Alimentos contaminados


por Silvio Caccia Bava
O Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo e representa 16% da sua venda mundial. Em 2009, foram vendidas aqui 780 mil toneladas, com um faturamento estimado da ordem de 8 bilhões de dólares. Ao longo dos últimos 10 anos, na esteira do crescimento do agronegócio, esse mercado cresceu 176%, quase quatro vezes mais que a média mundial, e as importações brasileiras desses produtos aumentaram 236% entre 2000 e 2007. As 10 maiores empresas do setor de agrotóxicos do mundo concentram mais de 80% das vendas no país.

Esses produtores viram ameaçadas suas novas metas de faturamento com o anúncio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de que se propõe a reavaliar o uso de 13 produtos agrotóxicos, vários deles já proibidos há anos nos EUA, na União Europeia, e em países como Argentina, Nigéria, Senegal, Mauritânia, entre outros, como o acefato e o endossulfam. Os motivos dessa proibição são evidentes, a contaminação de alimentos, de trabalhadores rurais, e do meio ambiente, causando, literalmente, o envenenamento dos consumidores, a morte de trabalhadores rurais e a destruição da vida animal e vegetal.

Em solicitação ao Ministério Público para a proibição de um desses agrotóxicos – o Tamaron – os então deputados federais Fernando Dantas Ferro, Adão Preto e Miguel Rosseto denunciam que 5 mil trabalhadores rurais morrem, a cada ano, intoxicados por venenos agrícolas, sendo que muitos mais são afetados de maneira grave pela ingestão dos componentes químicos desses produtos.

Frente à disposição da Anvisa de reavaliar produtos como Gramoxone, Paraquat, Tamaron, Mancozeb, Monocrotfos, Folidol, Malation e Decis, o Sindag – Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas – recorreu ao Judiciário, solicitando que não sejam publicados os resultados das reavaliações. Houve mesmo iniciativas no Judiciário que pretendiam proibir os estudos da Anvisa que verificavam a segurança das substâncias de 99 agrotóxicos.

O fato é que o setor ruralista, com o Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes à frente, a bancada ruralista e os fabricantes de agrotóxicos se puseram a campo contra a iniciativa da Anvisa, e mesmo contra a própria Anvisa e o seu papel fiscalizador. Segundo documento obtido pela ABRANDH – Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos, o Ministério da Agricultura quer ser o responsável pela avaliação e registro dos produtos agrotóxicos.

Para Rosany Bochner, especialista em toxicologia da Fiocruz, instituição parceira da Anvisa no trabalho de reavaliação dos agrotóxicos, “o Brasil está virando um grande depósito de porcarias. Os agrotóxicos que as empresas não conseguem vender lá fora, que têm indicativo de problemas, são empurrados para a gente”.1

Em 2002, com o início do funcionamento do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, coordenado pela Anvisa, surgiram informações preocupantes. Das 1.198 amostras recolhidas em nível nacional, 17,28% apresentavam índices de contaminação acima do permitido para se preservar a saúde. O tomate, o morango e a alface são os mais contaminados. Se você come amendoim, batata, brócolis, citros, couve, couve-flor, feijão, melão, pimentão, repolho, entre outros alimentos, cuidado! Eles contêm acefato, um agrotóxico que pode causar danos ao cérebro e ao sistema nervoso e provocar câncer no longo prazo. O acefato é proibido em toda a União Europeia.

Segundo o IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor, “o consumidor brasileiro está exposto a um risco sanitário inaceitável, que exige medidas rigorosas dos órgãos governamentais responsáveis, inclusive com a punição dos infratores”.

Essa denúncia decorre do levantamento e análise da Anvisa, feito de junho de 2001 a junho de 2002, onde nada menos que 81,2% das amostras analisadas (1051 casos) exibiam resíduos de agrotóxicos e 22,17% apresentavam índices que ultrapassavam os limites máximos permitidos.

Atualmente os agrotóxicos estão em reavaliação tanto pela Anvisa, quanto pelos Ministérios da Saúde e Meio Ambiente. E espera-se que até o final do ano seja divulgada uma nova lista dos agrotóxicos que podem continuar sendo vendidos e os que serão banidos do território brasileiro.

Ainda não existe uma ação integrada desses organismos públicos responsáveis por essa tarefa de fiscalização, mas segundo Agenor Álvares, diretor da Anvisa, a integração é algo indispensável, até para enfrentar a proposta do setor ruralista, que é inaceitável.

Silvio Caccia Bava é editor de Le Monde Diplomatique Brasil e coordenador geral do Instituto Pólis.
1 Folha de São Paulo, 17/07/2008.

 Manifestação do Coordenador da Comissão Guarani Nhemonguetá sobre a matéria publicada na revista Veja nº 2163, de 05 de maio de 2010, intitulada “a farra da antropologia oportunista”. 

 Um abuso dos formadores de opinião

 É lamentável, após tantos anos de luta para conquista e respeito ao direito indígena, me deparar com uma reportagem tendenciosa, preconceituosa, como a matéria publica na revista Veja nº 2163, de 05 de maio de 2010, intitulada “a farra da antropologia oportunista”. 

Os jornalistas Srs. Leonardo Coutinho e Igor Paulin e a jornalista Sra. Julia de Medeiros ao reportarem a situação da etnia guarani, principalmente na região da grande Florianópolis, cometeram um erro básico na construção de uma reportagem investigativa – verificar a idoneidade e a legitimidade da fonte de informações.

O Sr. Milton Moreira (foto na página 158/159) não representa as comunidades Guarani de Santa Catarina e por opção vive fora das comunidades indígenas, estabelecendo uma forte relação com o não indígena, empresário local, que tentou de várias formas deslocar a comunidade do Morro dos Cavalos no município de Palhoça para atender interesses econômicos próprios.

É uma pena que os autores desta reportagem, em passagem por nossa região não se interessaram em conhecer os verdadeiros representantes da cultura guarani, e prestaram este desserviço a todo trabalho desenvolvido pela Comissão Nhemonguetá, que reúne representantes de todas as aldeias do litoral de Santa Catarina, sempre apoiados e acompanhados nas suas decisões e reivindicações pelo Ministério Público de Santa Catarina, que confere a veracidade dos fatos, a origem das solicitações e o fundamento jurídico das solicitações, sejam elas fundiárias, sociais, antropológicas ou de bens e serviços.

Nós não precisamos provar quem somos. A própria história, construída pelos não indígenas, identifica o povo guarani como etnia tradicional desta terra. O povo guarani nunca desrespeitou a propriedade alheia; ao contrário serem foram usurpados de suas terras, impedidos de desenvolver seu modo de vida e cultura.

Esta situação se arrasta há 500 anos, desde a invasão portuguesa. Isso ocorre por ainda encontrarmos na sociedade brasileira pessoas com o mesmo “pensamento” que os autores desta matéria. Utilizam meios de comunicação de abrangência nacional, como esta revista, sem dar oportunidade aos seus leitores de construção de um pensamento crítico, devido a parcialidade da mesma, muitas vezes incorrendo com a verdade.

Então me pergunto… A quem interessa todo este movimento? O porquê das informações não terem sido verificadas?

Hoje, o povo guarani com uma população de mais de 50 mil pessoas ocupa menos que 0,05% das terras destinada aos povos indígenas no Brasil, e quase sempre em locais improdutivos e não adequados ao nosso modo de vida… Nossos antepassados chorariam se nos vissem em tal situação… Será que choraremos daqui a alguns anos, vendo nossos filhos e netos derrotados e aprisionados em pequenos pedaços de terra, vivendo como em guetos, segregados e espoliados de seus direitos, mesmo sendo os representantes legítimos da família tradicional do Brasil, que vivem nestas terras há muito mais que quinhentos anos?!!

Desafio esta revista e os autores desta reportagem a estarem juntos as nossas aldeias e conhecerem nossos jovens e anciãos para repensarem “a origem paraguaia” de nossa Nação Guarani.

Hyral Moreira

Cacique da T.I. M’Biguaçu

Presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Litoral Sul

Coordenador da Comissão Nemonguetá

Graduando em Direito na Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI

BRASIL RURAL CONTEMPORÂNEO: Feira da Agricultura Familiar chega a Porto Alegre

O maior evento do gênero na América Latina será instalado em um dos mais belos cartões portais dos gaúchos

Depois do sucesso absoluto em Brasília e no Rio de Janeiro, a Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária | BRASIL RURAL CONTEMPORÂNEO chega a Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Entre os dias 13 a 16 de maio, os gaúchos vão conhecer o Brasil que dissemina práticas sustentáveis e se afirma pela diversidade e qualidade da produção de sua agricultura familiar. Emoldurada por um dos cartões postais do Rio Grande do Sul, o Cais do Porto de Porto Alegre, às margens do Guaíba, a Feira reúne 350 empreendimentos familiares de todas as regiões do País, além da anfitriã Região Sul. Serão mais de 200 toneladas de produtos a serem comercializados, além de uma vasta programação cultural.
O BRASIL RURAL CONTEMPORÂNEO vai ocupar três armazéns do Cais do Porto (A4, A5 e A6). Nesses espaços estarão à disposição do público produtos como os queijos do Rio Grande do Sul e a cracóvia do Paraná; o bombom de buriti do Cerrado, o tacacá da Amazônia e a tapioca do Nordeste; roupas e acessórios de lã de ovelha e crina de cavalo do Rio Grande do Sul e bolsas de couro de peixe do Mato Grosso do Sul, entre outros achados que refletem a diversidade dos produtos da agricultura familiar.

Durante os quatro dias da Feira, os gaúchos também poderão celebrar a pluralidade musical e artística que une a raiz cultural e a modernidade do BRASIL RURAL CONTEMPORÂNEO em dois espaços: o Palco Multicultural e o Tablado de Raiz.
No Palco Multicultural se apresentam Gilberto Gil e o repentista baiano Bule Bule, no show de lançamento do CD “Fé na Festa”; e os pernambucanos Otto e Lirinha, este último inédito entre os gaúchos. No Tablado de Raiz estarão presentes grupos como o maracatu rural Estrela de Ouro (PE) e o grupo afro-baiano Zambiapunga. Sempre com participação de artistas locais, entre eles Frank Jorge, Julio Reny, Nei Lisboa, Wander Wildner e Giba Giba.

Mais infos no site: http://www.mda.gov.br/feirars/

O eminente sociólogo português Boaventura de Souza Santos teve a importante iniciativa de fazer uma petição endereçada ao Presidente do STF através da qual faz um desagravo aos quilombolas e aos antropólogos pelas últimas investidas contra os direitos territoriais dos primeiros através da “grande mídia” e, principalmente, uma brilhante síntese do que está em jogo com a votação da ADIN do ex-PFL que se aproxima. Seria importantíssimo que todos nós apoiássemos. Vamos assinar a petição! E vamos divulgar o máximo possível. O link está no final da mensagem original de Boaventura.

Por  favor, assinem esta petiçao e divulguem.
Por favor, firmen la peticion y divulguen.
Please, sign this petition and circulate.

abraços.
abrazo.
regards.
Boaventura

http://www.petitiononline.com/quilombo/petition.html

Nenhum retrocesso no reconhecimento das comunidades quilombolas, que o STF faça JUSTIÇA!

Grande novo ‘teste de felicidade’ para o País de  Gales, no Reino Unido

1º de Março de 2010, por David Williamson, do jornal Western Mail, no País de Gales

A felicidade da nação seria oficialmente medida com o objetivo de proteger e promover o bem-estar do povo galês. Propostas feitas pela Assembléia Governamental para aferir a satisfação geral com a vida têm sido bem-vindas pelos
especialistas em saúde e líderes empresariais como sendo uma audaciosa forma de
se construir um país mais equilibrado.
Esses planos foram delineados logo na primeira reunião de Gabinete do Primeiro Ministro Carwyn Jones, e chegaram numa hora de crescente reconhecimento de que os indicadores econômicos não podem medir o bem-estar das pessoas. 

O professor Cary Cooper, um especialista mundial em equilíbrio entre trabalho e lazer, disse que as crises econômicas dos anos recentes têm provado que a felicidade pessoal não é determinada por dinheiro, e que não podemos nos dar ao luxo de negligenciar a família e as amizades.
Esse emérito professor de psicologia organizacional e saúde disse: “Penso que o que governo galês está fazendo é fantástico. Dou 100% de apoio a essa iniciativa”.

O Prof. Cooper está desenvolvendo um modo para se avaliar o bem-estar de uma nação para o Fórum Mundial Econômico. Ele estava animado pelas propostas galesas, as quais, previu ele, impulsionariam esforços para que se melhorem os padrões de qualidade de vida em geral. Um freqüente comentarista sobre temas relacionados ao local de trabalho, o Prof. Cooper enfatizou que, “Uma vez que você desenvolva medidas, você pode comparar-se em relação a outras nações e isso é um motivador para que se faça algo sobre a atual situação. É natural para o ser humano
olhar para a lista e pensar, ‘eu não quero ser o 25º’”.

Argumentando que muitas das condições de saúde que afligem a sociedade moderna se devem a estilos de vida desequilibrados, o Prof. Cooper, que está baseado na Universidade de Lancaster, declarou ainda que: “Sociedades onde as pessoas precisam trabalhar excessivamente, por longas horas, não são felizes, porque elas são incapazes de investir nos seus relacionamentos ou nas vidas privadas”.

O conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB) foi pioneiramente desenvolvido no reino do Himalaia chamado Butão. Seu cálculo leva em conta a preservação ambiental e a qualidade de vida juntamente com o desenvolvimento econômico. As medidas de bem-estar propostas pela Ministra do Meio-Ambiente do País de Gales, Jane Davidson, coexistiriam com os indicadores-chave do desenvolvimento sustentável.
Uma recente tentativa feita pelo New Economics Foundation para medir o bemestar e a sustentabilidade ambiental através do Happy Planet Index (Índice do Planeta Feliz), classificou o Reino Unido na 74ª posição e os EUA na 114ª. Em 1º lugar ficou a Costa Rica, seguida respectivamente pela República Dominicana e a Jamaica.

Um estudo feito de 2005 a 2007, apoiado pela US National Science Foundation verificou que a Dinamarca era país mais feliz, seguida de Porto Rico, Colômbia, Islândia e Irlanda do Norte. O mais infeliz dos países pesquisados era o Zimbábue; os EUA ficaram em 16º lugar, à frente da Grã-Bretanha, que ficou em 21º.

O psicólogo da Universidade de Cardiff Adam Corner também deu boas vindas welcomed a essas propostas, dizendo que, “Existe atualmente um grande corpo de evidências mostrando que além de um certo nível de renda, ganhar mais dinheiro não leva a um aumento da felicidade. As pesquisas que perguntam o que é que faz as pessoas felizes descobrem que os fatores mais importantes são a nossa saúde, a família, os amigos, e o local onde vivemos. Enquanto que o dinheiro é importante, o efeito que ele tem na nossa felicidade tem mais a ver com disparidade entre os ricos e
pobres do que o montante absoluto que ganhamos. “Isso poderia sugerir que, se o governo quiser criar um País de Gales mais feliz, ele deveria perseguir políticas que promovam uma sociedade mais igualitária – e não focar apenas na geração de um PIB mais elevado”, concluiu Córner.
Russel Lawson, da Federação das Pequenas Empresas, disse que a evidência de uma saudável cultura poderia atrair acadêmicos de primeira linha para o País de Gales, o que por sua vez poderia motivar a mais estudantes universitários a estudarem e se estabelecerem no país, resultando em iniciativas de maior empreendedorismo.

Robert Lloyd Griffiths, do Instituto de Diretores, também aplaudiu essas propostas, dizendo: “Um força de trabalho feliz e contente leva a uma maior produtividade. Se você puder medir essa informação, isso seria muito útil”.
A líder da Assembléia, deputada Helen Jones, disse que seria essencial que os indicadores econômicos fossem monitorados, mas acrescentou: “Essas coisas são importantes, mas sabemos ao olhar para estudos internacionais que as melhores sociedades para se viver nem sempre são as mais ricas. Elas são frequentemente
aquelas sociedades onde a riqueza é compartilhada de forma mais igualitária”.
“Penso que esses indicadores irão ajudar a mostrar o que de fato funciona. Podem existir muitas e muitas iniciativas, mas, a menos que você tenha algo para medi-las, você será incapaz de dizer se o que estiver sendo feito está de fato fazendo alguma diferença”, concluiu Jones.

do site: www.visaofuturo.org.br

Bolivia:: Viver Bem

Bolívia: 25 postulados para entender o ‘Viver Bem’

Em uma entrevista, o ministro das Relações Exteriores da Bolívia e especialista em cosmovisão andina, David Choquehuanca, explica os principais detalhes desta proposta que situa a vida e a natureza como eixos centrais.

A matéria está publicada no jornal boliviano La Razón, 31/01/2010. A tradução é do Cepat.

O Viver Bem, modelo que o governo de Evo Morales busca implementar, pode ser resumido como viver em harmonia com a natureza, algo que retomaria os princípios ancestrais das culturas da região. Estas considerariam que o ser humano passa a um segundo plano em relação ao meio ambiente.

O chanceler David Choquehuanca, um dos estudiosos aimara desse modelo e especialista em cosmovisão andina, conversou com La Razón durante uma hora e meia e explicou os detalhes destes princípios reconhecidos no artigo 8 da Constituição Política do Estado Boliviano (CPE).

“Queremos voltar a Viver Bem, o que significa que agora começamos a valorizar a nossa história, a nossa música, a nossa vestimenta, a nossa cultura, o nosso idioma, os nossos recursos naturais, e, depois de valorizar, decidimos recuperar tudo o que é nosso, voltar a ser o que éramos”.

O artigo 8 da CPE estabelece que: “O Estado assume e promove como princípios ético-morais da sociedade plural: ama qhilla, ama llulla, ama suwa (não sejas preguiçoso, não sejas mentiroso nem ladrão), suma qamaña (viver bem), ñandereko (vida harmoniosa), teko kavi (vida boa), ivi maraei (terra sem males) y qhapaj ñan (caminho ou vida nobre).

O Chanceler marcou distância com o socialismo e mais ainda com o capitalismo. O primeiro busca satisfazer as necessidades humanas e para o capitalismo o mais importante é o dinheiro e a mais-valia.

De acordo com David Choquehuanca, o Viver Bem é um processo que está apenas começando e que pouco a pouco irá se massificando.

“Para os que pertencem à cultura da vida, o mais importante não é o dinheiro nem o ouro, nem o ser humano, porque ele está em último lugar. O mais importante são os rios, o ar, as montanhas, as estrelas, as formigas, as borboletas (…) O ser humano está em último lugar, para nós o mais importante é a vida”.

Nas culturas
Aimara – antigamente os moradores das comunidades aimara na Bolívia aspiravam a ser qamiris (pessoas que vivem bem).

Quechuas – igualmente, as pessoas desta cultura desejavam ser um qhapaj (pessoa que vive bem). Um bem-estar que não é econômico.

Guarani – o guarani sempre aspira a ser uma pessoa que se move em harmonia com a natureza, isto é, que espera algum dia ser iyambae.

O Viver Bem dá prioridade à natureza mais que ao ser humano

Estas são as características que pouco a pouco serão implementadas no novo Estado Plurinacional da Bolívia.

Priorizar a vida

Viver Bem é buscar a vivência em comunidade, onde todos os integrantes se preocupam com todos. O mais importante não é o ser humano (como afirma o socialismo) nem o dinheiro (como postula o capitalismo), mas a vida. Pretende-se buscar uma vida mais simples. Que seja o caminho da harmonia com a natureza e a vida, com o objetivo de salvar o planeta e dar a prioridade à humanidade.

Obter acordos consensuados

Viver Bem é buscar o consenso entre todos, o que implica que mesmo que as pessoas tenham diferenças, na hora de dialogar se chegue a um ponto de neutralidade em que todas coincidam e não se provoquem conflitos. “Não somos contra a democracia, mas o que faremos é aprofundá-la, porque nela existe também a palavra submissão e submeter o próximo não é viver bem”, esclareceu o chanceler David Choquehuanca.

Respeitar as diferenças

Viver Bem é respeitar o outro, saber escutar todo aquele que deseja falar, sem discriminação ou qualquer tipo de submissão. Não se postula a tolerância, mas o respeito, já que, mesmo que cada cultura ou região tenha uma forma diferente de pensar, para viver bem e em harmonia é necessário respeitar essas diferenças. Esta doutrina inclui todos os seres que habitam o planeta, como os animais e as plantas.

Viver em complementaridade

Viver Bem é priorizar a complementaridade, que postula que todos os seres que vivem no planeta se complementam uns com os outros. Nas comunidades, a criança se complementa com o avô, o homem com a mulher, etc. Um exemplo colocado pelo Chancelerespecifica que o homem não deve matar as plantas, porque elas complementam a sua existência e ajudam para que sobreviva.

Equilíbrio com a natureza

Viver Bem é levar uma vida equilibrada com todos os seres dentro de uma comunidade. Assim como a democracia, a justiça também é considerada excludente, de acordo com o chanceler David Choquehuanca, porque só leva em conta as pessoas dentro de uma comunidade e não o que é mais importante: a vida e a harmonia do ser humano com a natureza. É por isso que Viver Bem aspira a ter uma sociedade com equidade e sem exclusão.

Defender a identidade

Viver Bem é valorizar e recuperar a identidade. Dentro do novo modelo, a identidade dos povos é muito mais importante do que a dignidade. A identidade implica em desfrutar plenamente de uma vida baseada em valores que resistiram mais de 500 anos (desde a conquista espanhola) e que foram legados pelas famílias e comunidades que viveram em harmonia com a natureza e o cosmos.

Um dos principais objetivos do Viver Bem é retomar a unidade de todos os povos

O ministro das Relações Exteriores, David Choquehuanca, explicou que o saber comer, beber, dançar, comunicar-se e trabalhar também são alguns aspectos fundamentais.

Aceitar as diferenças

Viver Bem é respeitar as semelhanças e diferenças entre os seres que vivem no mesmo planeta. Ultrapassa o conceito da diversidade. “Não há unidade na diversidade, mas é semelhança e diferença, porque quando se fala de diversidade só se fala de pessoas”, diz oChanceler. Esta colocação se traduz em que os seres semelhantes ou diferentes jamais devem se ofender.

Priorizar direitos cósmicos

Viver Bem é dar prioridade aos direitos cósmicos antes que aos Direitos Humanos. Quando o Governo fala de mudança climática, também se refere aos direitos cósmicos, garante o Ministro das Relações Exteriores. “Por isso, o Presidente (Evo Morales) diz que vai ser mais importante falar sobre os direitos da Mãe Terra do que falar sobre os direitos humanos”.

Saber comer

Viver Bem é saber alimentar-se, saber combinar os alimentos adequados a partir das estações do ano (alimentos de acordo com a época). O ministro das Relações Exteriores,David Choquehuanca, explica que esta consigna deve se reger com base na prática dos ancestrais que se alimentam com um determinado produto durante toda a estação. Comenta que alimentar-se bem garante boa saúde.

Saber beber

Viver Bem é saber beber álcool com moderação. Nas comunidades indígenas cada festa tem um significado e o álcool está presente na celebração, mas é consumido sem exageros ou ofender alguém. “Temos que saber beber; em nossas comunidades tínhamos verdadeiras festas que estavam relacionadas com as estações do ano. Não é ir a uma cantina e se envenenar com cerveja e matar os neurônios”.

Saber dançar

Viver Bem é saber dançar [danzar], não simplesmente saber bailar [bailar]. A dança se relaciona com alguns fatos concretos, como a colheita ou o plantio. As comunidades continuam honrando com dança e música a Pachamama, principalmente em épocas agrícolas; entretanto, nas cidades as danças originárias são consideradas expressões folclóricas. Na nova doutrina se renovará o verdadeiro significado do dançar.

Saber trabalhar

Viver Bem é considerar o trabalho como festa. “O trabalho para nós é felicidade”, disse o chanceler David Choquehuanca, que recalca que ao contrário do capitalismo onde se paga para trabalhar, no novo modelo do Estado Plurinacional, se retoma o pensamento ancestral de considerar o trabalho como festa. É uma forma de crescimento, é por isso que nas culturas indígenas se trabalha desde pequeno.

Retomar o Abya Yala

Viver bem é promover a união de todos os povos em uma grande família. Para oChanceler, isto implica em que todas as regiões do país se reconstituam no que ancestralmente se considerou como uma grande comunidade. “Isto tem que se estender a todos os países. É por isso que vemos bons sinais de presidentes que estão na tarefa de unir todos os povos e voltar a ser o Abya Yala que fomos”.

Reincorporar a agricultura

Viver Bem é reincorporar a agricultura às comunidades. Parte desta doutrina do novo Estado Plurinacional é recuperar as formas de vivência em comunidade, como o trabalho na terra, cultivando produtos para cobrir as necessidades básicas para a subsistência. Neste ponto se fará a devolução de terras às comunidades, de maneira que se produzam as economias locais.

Saber se comunicar

Viver Bem é saber se comunicar. No novo Estado Pluninacional se pretende retomar a comunicação que existia nas comunidades ancestrais. O diálogo é o resultado desta boa comunicação mencionada pelo Chanceler. “Temos que nos comunicar como antes os nossos pais o faziam, e resolviam os problemas sem que se apresentassem conflitos, não temos que perder isso”.

O Viver Bem não é “viver melhor”, como propugna o capitalismo

Entre os preceitos estabelecidos pelo novo modelo do Estado Plurinacional, figuram o controle social, a reciprocidade e o respeito à mulher e ao idoso.

Controle social

Viver Bem é realizar um controle obrigatório entre os habitantes de uma comunidade. “Este controle é diferente do proposto pela Participação Popular, que foi rechaçado (por algumas comunidades) porque reduz a verdadeira participação das pessoas”, disse o chanceler Choquehuanca. Nos tempos ancestrais, “todos se encarregavam de controlar as funções que suas principais autoridades realizavam”.

Trabalhar em reciprocidade

Viver Bem é retomar a reciprocidade do trabalho nas comunidades. Nos povos indígenas esta prática se denomina ayni, que não é mais do que devolver em trabalho a ajuda prestada por uma família em uma atividade agrícola, como o plantio ou a colheita. “É mais um dos princípios ou códigos que garantirão o equilíbrio nas grandes secas”, explica o Ministro das Relações Exteriores.

Não roubar e não mentir

Viver Bem é basear-se no ama suwa e ama qhilla (não roubar e não mentir, em quéchua). É um dos preceitos que também estão incluídos na nova Constituição Política do Estado e que o Presidente prometeu respeitar. Do mesmo modo, para o Chanceler é fundamental que dentro das comunidades se respeitem estes princípios para conseguir o bem-estar e confiança em seus habitantes. “Todos são códigos que devem ser seguidos para que consigamos viver bem no futuro”.

Proteger as sementes

Viver Bem é proteger e guardar as sementes para que no futuro se evite o uso de produtos transgênicos. O livro Viver Bem, como resposta à crise global, da Chancelaria da Bolívia, especifica que uma das características deste novo modelo é preservar a riqueza agrícola ancestral com a criação de bancos de sementes que evitem a utilização de transgênicos para incrementar a produtividade, porque se diz que esta mistura com químicos prejudica e acaba com as sementes milenares.

Respeitar a mulher

Viver Bem é respeitar a mulher, porque ela representa a Pachamama, que é a Mãe Terra que tem a capacidade de dar vida e de cuidar de todos os seus frutos. Por estas razões, dentro das comunidades, a mulher é valorizada e está presente em todas as atividades orientadas à vida, à criação, à educação e à revitalização da cultura. Os moradores das comunidades indígenas valorizam a mulher como base da organização social, porque transmitem aos seus filhos os saberes de sua cultura.

Viver Bem e NÃO melhor

Viver Bem é diferente de viver melhor, o que se relaciona com o capitalismo. Para a nova doutrina do Estado Plurinacional, viver melhor se traduz em egoísmo, desinteresse pelos outros, individualismo e pensar somente no lucro. Considera que a doutrina capitalista impulsiona a exploração das pessoas para a concentração de riquezas em poucas mãos, ao passo que o Viver Bem aponta para uma vida simples, que mantém uma produção equilibrada.

Recuperar recursos

Viver Bem é recuperar a riqueza natural do país e permitir que todos se beneficiem desta de maneira equilibrada e equitativa. A finalidade da doutrina do Viver Bem também é a de nacionalizar e recuperar as empresas estratégicas do país no marco do equilíbrio e da convivência entre o ser humano e a natureza em contraposição à exploração irracional dos recursos naturais. “Deve-se, sobretudo, priorizar a natureza”, acrescentou o Chanceler.

Exercer a soberania

Viver Bem é construir, a partir das comunidades, o exercício da soberania no país. Isto significa, segundo o livro Viver Bem, como resposta à crise global, que se chegará a uma soberania por meio do consenso comunal que defina e construa a unidade e a responsabilidade a favor do bem comum, sem que nada falte. Nesse marco, se reconstruirão as comunidades e nações para construir uma sociedade soberana que será administrada em harmonia com o indivíduo, a natureza e o cosmos.

Aproveitar a água

Viver Bem é distribuir racionalmente a água e aproveitá-la de maneira correta. OMinistro das Relações Exteriores comenta que a água é o leite dos seres que habitam o planeta. “Temos muitas coisas, recursos naturais, água e, por exemplo, a França não tem a quantidade de água nem a quantidade de terra que há em nosso país, mas vemos que não há nenhum Movimento Sem Terra, assim que devemos valorizar o que temos e preservá-lo o melhor possível, isso é Viver Bem”.

Escutar os anciãos

Viver Bem é ler as rugas dos avós para poder retomar o caminho. O Chanceler destaca que uma das principais fontes de aprendizagem são os anciãos das comunidades, que guardam histórias e costumes que com o passar dos anos vão se perdendo. “Nossos avós são bibliotecas ambulantes, assim que devemos aprender com eles”, menciona. Portanto, os anciãos são respeitados e consultados nas comunidades indígenas do país.

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Do site: http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1452